Sling: quando usar?

Sentado/a no computador…

Lavando louça…

Arrumando a casa… O movimento em geral faz o bebê dormir.

Estendendo roupas…

Quando foi comer em um restaurante. Tomando sempre cuidado com alimentos quentes. Mas é uma boa maneira de fazer uma refeição sem se preocupar se o bebê vai acordar ou não…

Para ir à feira ou supermercado, mesmo que você leve o carrinho de bebê para trazer as compras. Assim você não precisa se preocupar em olhar seu bebê o tempo todo. Qual mãe consegue fazer compras com tranquilidade com o bebê no carrinho?

Para ir ao cinema…

Para ir a festas na casa de amigos onde o ambiente é descontraído mas deixar o bebê num quarto estranho sozinho não seria tranquilo para os pais. Com o sling eles podem manter o bebê próximo e ainda conversar, dançar e se divertir…

Para ir a festas imperdíveis mesmo com um bebê de poucas semanas tipo o casamento de um primo ou o aniversário de 70 anos de seu sogro. O bebê no sling poderá ter acesso irrestrito ao peito e a mãe pode amamentá-lo com discrição…

Para ir a palestras ou cursos imperdíveis. Um bebê pequeno num sling, provavelmente, não incomodaria ninguém. Tudo que ele precisa está ali: peito – mãe – colo. A logística de deixar um bebê pequeno em casa, com quem deixar, retirar o leite é sem dúvida muito mais trabalhoso…

Quando for visitar os amigos. É muito mais confortável chegar na casa de amigos com o sling do que com um carrinho de bebê, que às vezes nem cabe nos espaços de hoje. Além do mais, você pode amamentar discretamente sem ter que sair da sala. O que sempre causa uma sensação de alienação. A vida continua depois que seu bebê nasce!

Andando na rua especialmente com outra criança. Com o bebê no sling você garante a segurança do mais velho e ainda tem uma mão livre para abrir a porta do carro (por exemplo).

Passeando no parque com o bebê no sling, nas trilhas sob as árvores e não só nos caminhos asfaltados onde é mais viável levar um carrinho de bebê. Tarefas antes feitas de carro (stress da vida moderna) podem ser ótimas desculpas para sair de casa com o bebê no sling dando a ambos mãe/pai e bebê uma chance para se distraírem e descarregarem as energias. E o carrinho de bebê? Dificilmente você consegue passar pelas calçadas quebradas sem ter que desviar para a rua. Deixe-o em casa.

Para andar de ônibus ou metrô na cidade como o sling não tem igual. Suas mãos ficam livres para pagar, carregar compras ou até um carrinho de bebê tipo guarda-chuva e, acima de tudo, se equilibrar dentro do ônibus/metrô.

Dicas bacanas daqui.

Veja também: praticando exercícios com um sling :)

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Crianças proibidas de ver

Pelo ato milenar de permitir que as crianças olhem para a frente e compartilhem as experiências vividas pelos seus pais! Texto bacana, dica da Gaabriela Moura.

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Crédito: Luiz Kriwat

Por Fernando Reinach – O Estado de S.Paulo

Nas culturas tradicionais, logo que a criança consegue firmar o pescoço, ela é transportada na posição vertical. Carregar uma criança na posição vertical faz parte do processo de educação. Hoje sabemos que o desenvolvimento do córtex visual, a parte do cérebro que processa imagens, não termina durante a vida fetal, mas continua após o nascimento e depende do estímulo visual constante para amadurecer. Os carrinhos de bebê de hoje são mais novos, mas será que são melhores?

Muito otimistas, os seres humanos associam a palavra novo à palavra melhor. Gostamos de descrever as mudanças na nossa vida como “o progresso da humanidade”.

Mas o novo não é sempre melhor. A redescoberta dessa afirmação óbvia é uma das novidades deste início de século e tem aumentado nosso interesse pelo modo de vida nas sociedades ditas primitivas. Você segue a dieta do caçador ou é vegetariano? Que tal corrermos descalços? Educar em casa ou na escola? E o colchão, não deveria ser mais duro?

Nosso passado é longo. Os ancestrais do Homo sapiens surgiram 1 milhão de anos atrás. Durante os primeiros 800 mil anos viveram coletando o alimento de cada dia, todo dia, o dia todo. Vagavam pelas estepes e florestas africanas, fugindo dos predadores. Nós, os Homo sapiens, surgimos faz aproximadamente 200 mil anos e somos descendentes dos indivíduos que sobreviveram a esta intensa seleção natural que durou 800 mil anos.

Nestes últimos 200 mil anos, ainda passamos 185 mil deles vivendo em pequenos grupos, coletando raízes, caçando, pescando, nos espalhando por diversos continentes. Os nossos antepassados que sobreviveram a esse tipo de vida descobriram a agricultura e domesticaram os animais faz 15 mil anos. Neste período, passamos 10 mil anos em pequenas vilas. Faz talvez 5 mil anos que nos organizamos em cidades maiores e somente há 200 anos ocorreu a Revolução Industrial.

Nesta história de 1 milhão de anos, o passado recente não é a Revolução Francesa ou a locomotiva a vapor, como insistem os currículos escolares. O ontem é o fim da Idade da Pedra, a organização social de tribos nômades e o modo de vida dos primeiros agricultores. O carro e a internet surgiram faz alguns segundos.

O novo livro de Jared Diamond, The World Until Yesterday (O Mundo Até Ontem, em tradução livre), é sobre esse ontem e sobre o que ele pode nos ensinar. São 500 páginas de observações fascinantes. Aqui vai um aperitivo para aguçar seu apetite.

Nas sociedades tradicionais, as crianças, antes de aprenderem a andar, são carregadas pelas mães. Em todas as culturas tradicionais, logo que a criança consegue firmar o pescoço, ela é transportada na posição vertical. Pode ser nas costas ou na frente da mãe, seja com o auxílio dos braços ou utilizando dobras das roupas ou artefatos construídos para esse fim.

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Crédito: Luiz Kriwat

Nessa posição, o campo visual da criança é aproximadamente o mesmo da mãe. Ela olha para a frente e pode observar todo o ambiente em sua volta praticamente do mesmo ângulo e da mesma altura da mãe. O horizonte, as árvores, os animais e seus movimentos são observados pela criança da mesma maneira que a mãe observa seu ambiente. Quando um pássaro canta e a mãe vira a cabeça para observar, a criança também tem uma chance de associar o canto do pássaro à sua plumagem. A criança observa o trabalho de coleta de alimento da mãe, como ela prepara a comida, o que a assusta, o que provoca o riso ou a tristeza na mãe. Carregar uma criança na posição vertical faz parte do processo de educação.

Isso era ontem. E como é hoje? Inventamos o carrinho de bebê. As crianças menores são transportadas deitadas de costas, olhando para o céu (ou para a face da mãe). A criança não compartilha a experiência visual da mãe, não consegue associar as expressões faciais da mãe a objetos e sentimentos. Os sons ouvidos pela criança dificilmente podem ser associados a experiências visuais, atividades ou sentimentos. Deitadas, as crianças modernas só observam o teto (dentro de edifícios) ou o céu (ao ar livre).

Como o céu é claro e incomoda a vista, muitos desses carrinhos possuem uma coberturas de pano, o que restringe ainda mais o campo de visão e empobrece a experiência visual da criança. Não é de espantar que um bebê, cujos ancestrais foram selecionados para aprender a observar o meio ambiente desde o início de sua vida, fique entediado. Mas para isso temos uma solução moderna: uma chupeta que simula o bico do seio da mãe. Hoje, carregar uma criança é considerado um estorvo, mas nossa nova solução distancia fisicamente a criança da mãe e não permite que elas compartilhem experiências sensoriais. Transportar uma criança deixou de fazer parte do processo educacional.

Hoje sabemos que o desenvolvimento do córtex visual, a parte do cérebro que processa imagens, não termina durante a vida fetal, mas continua após o nascimento e depende do estímulo visual constante para amadurecer. Os carrinhos de bebê de hoje são mais novos, mas será que são melhores?

É incrível, mas hoje, numa época em que educar para o futuro é o lema de toda escola, numa época em que tentamos alfabetizar as crianças cada vez mais cedo, abandonamos o hábito milenar de permitir que as crianças olhem para a frente e compartilhem as experiências vividas por suas mães.

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Crédito: Luiz Kriwat

* Fernando Reinach é biólogo.